Partida

sábado, 6 de fevereiro de 2010
Analisei por dias a letra de Raul Seixas, a tal da metamorfose ambulante. Cara sortudo, o sr. Seixas, damned! Ele tem a opção da preferência - o ser ou não ser uma metamorfose ambulante... Eu fui fadada a seguir com tal característica intrínseca a mim, indissociável. Assumo, ao menos: sou contraditória sim, assumo que muitas vezes nem eu aturo minhas confusões, eu tento explicar o que nem eu entendo. Isso deve explicar a quantidade de 'talvezes' presentes não só na escrita como também na minha cabeça lotada de incessantes pensamentos sobre temas objetivados por Aristóteles ou pela Isabella do Esquadrão da Moda, o mais trash possível.
Confesso que uma parte de mim só optou por te levar ao aeroporto pra ter certeza absoluta que você não ia chegar num último momento e falar: "era tudo brincadeira, peeeeeeegadinha do malandro! Vou ficar aqui com você!". Claro que isso era só um devaneio meu, você continuou andando meio perdido, só olhou pra trás procurando o meu olhar que nunca desviou do seu, meu olhar que procurava um aconchego no seu, que procurava que você.
Outra parte de mim foi até lá só pra ter certeza que esse olhar perdido não ia se estender por muito tempo, pra garantir que vai ficar tudo bem, não restar dúvidas de que você (esse homem que tem a grandeza de um menino e a sabedoria que muitos velhos nem sonham em adquirir) ia saber lidar com tudo que viesse e constatar que o fato de você saber se virar sozinho sem mim não ia virar exatamente um alívio, mas uma inquietação, o medo de ser dispensável e descartável.
Mais uma parte odiava estar lá, detestava ter que te acompanhar pra no final das contas ter mesmo que se despedir, eu nunca gostei de despedidas! Eu sempre imaginei que, se um dia eu tivesse que me despedir de todo mundo, na verdade, eu não iria nem contar que eu ia embora, eu só partia de uma vez. Não de uma vez, você sabe, minha insegurança e todo o mais não me deixariam olhar menos de três vezes pra trás, mas eu iria.
Por último, porém não menos importante - acho que é mais importante que qualquer outra coisa não só nessa lista que eu nem sei mais do que se trata, mas de tudo que eu queria externar - eu queria me sentir com você. Sentir meu riso meio bobo, que ainda é provocado por besteiras, pelo jeito que você se faz ficar vesgo e que tenta não rir quando eu faço cócegas em você. Pela sincronia do 'pensar em você' e do instantâneo toque de telefone. O bem que faz eu olhar pra você enquanto sua vó me abraça e ver aquela cara de satisfação como o macho alfa que só vê duas mulheres tão importantes juntas, eu sei, é tão claro pra mim. O jeito como o tempo parecia querer alcançar a velocidade da luz enquanto a gente tá junto 'se experimentando' como você diz, e me faz querer me tornar degustadora profissional. A forma como a lasanha de quatro queijos e a proteína de soja (que você me deu) demora três dias pra acabar sem você aqui ou como é dormir pensando que você vai me acordar com uma ligação-bronca que nunca chega ou acordar pensando em te contar o sonho que eu tive com você e são tantas coisas pra contar e mesmo assim eu esqueço de tudo quando ouço a sua voz no telefone, só quero me lembrar da sua voz, talvez com ela venha o seu cheiro de charme. Eu espero que venha.

Você ou Eu

domingo, 1 de novembro de 2009
Você nunca foi daquelas choronas de se emocionar por tudo. Não, aquilo de se comover em filmes era totalmente inimaginável com você. Por alguns, você já era tida como aquela do coração de pedra, que não se abala tão fácil - e de fato não o fazia e, quando isso acontecia, até então, não o demonstrava na frente de quem quer que fosse. Você nunca foi de apreciar o silêncio, na verdade a ausência de som quase te ensurdecia. Você preferia se mostrar forte para que sua postura viesse a convir com a realidade, mesmo que não fosse o caso. A música 'Pagu' fazia muito sentido pra você, especialmente no que se referia ao "sou mais macho que muito homem".
De uns tempos pra cá, você percebe que muito disso veio a falhar. Filme de drama ou romance é reforçado por aquele rímel a prova d'água devido a previsível instabilidade na região ocular, aka lágrimas; aquela tática de manter a compostura nem sempre funciona agora e, por mais que você não queira, até o mais leigo no assunto 'você' já sabe quando você tá meio balançada com alguma coisa.
De repente, você percebe que tudo coincide com a aparição tão repentina e tão destinada de alguém que sem dúvida alguma abalou bangu, as estruturas e o que mais pudesse ser abalado. Aquele que fez você questionar o que é amor, o que é paixão, que fez você entender todas aquelas letras romantiquinhas clichês, que fez você gostar mais de ver o céu, que fez você admirar mais a poesia, que fez você cogitar um 'para sempre', ainda que experiências anteriores te advirtam que 'o pra sempre sempre acaba'.
Você fica entre o que era e o que virou, você começa a se conhecer, você começa a descobrir o porquê de tanta gente chorar no Reveillon e teme que você comece a chorar também, você começa a descobrir que o silêncio é uma forma de escutar os sussurros dele no seu ouvido. Você descobre que, antes dele, você mesma era uma leiga quando o assunto era você. Você começa a admitir em voz alta: 'tô apaixonada, tô amando!' - mesmo que, antes, isso fosse considerado fraqueza. Você descobre que, mesmo sendo o sua escolha profissional e sua vida regada a exemplificações que elas são a forma mais eficaz de comunicação e expressão, as palavras são tão supérfluas diante da mágica que ocorre dentro do seu peito, num beijo, num aperto, num amasso. Você começa a perceber que fracos não eram aqueles que estavam apaixonados, amando e chorando por qualquer coisa.
Você percebe que o príncipe que você procurou por muito tempo é such a moron, já que mesmo a imperfeição do seu cara - que obviamente não é príncipe, não chegou perto de ser isso e não tem um cavalo branco, só uma cadelinha de estimação no máximo - é perfeita pra você e isso te basta. Você nota que atração carnal com o Plus do amor infindo que você dedica a ele é suficiente pra garantir o seu 'feliz pra sempre'.

'Cause Maybe...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Palavras me fascinam. Não sei desde quando, o fato é que a cada dia sinto-as mais próximas de mim ao ler ou a tentar escrever qualquer coisa que seja.
O que vem me assustando é a capacidade delas se juntarem na minha cabeça de forma desconexa e ao mesmo tempo totalmente coordenada. Semelhante a isso, um certo indivíduo tem me causado grande fascinação e infinitas dualidades que nem eu consigo explicar...
Talvez seja seu beijo com a capacidade de oscilar entre o lento, apaixonante, romântico e o veloz, caliente, envolvente. Talvez seja a forma com que você me toca com tanto amor e desejo, sua capacidade de saber quando minha pele anseia por cada um dos dois. Talvez seja seu olhar que diz tanto que, só de ir em encontro ao meu, me faz vacilar, as pernas bambeiam e, sem saber direito o que fazer, não que consigo esconder que, sim, fico muito boba ainda, mesmo com o tempo que a gente tá junto. Talvez seja seu não olhar, que diz até mais que seu olhar, que me chama, me convoca e intima pra mais um beijo que vai repetir todo o ciclo de distinções tão igualmente boas.
O que mais me assusta e preocupa é a pior dicotomia que pode existir numa relação como a nossa: o amor e ódio. A certeza de te amar tanto me leva a duvidar desse sentimento, em meio a tantos contrários unidos numa só pessoa. Talvez aquela garota do '10 coisas que eu odeio em você' estava bem a frente de mim e de minha mera filosofia noturna ao entender que o amor é possível mesmo com pequenos 'te odeio quando lalalá'. Talvez o sono esteja me levando a discussões frívolas comigo mesma. Talvez é de contrários que se faz a vida.
Talvez algo em toda essa confusão tenha razão. Ou talvez não. Talvez...